Um estudo internacional para explorar o impacto nos negócios do uso de mídias sociais e aplicações da web 2.0 na empresa revelou a necessidade de melhor governança e envolvimento da área de tecnologia da informação (TI).
A pesquisa, patrocinada pela Cisco, foi realizada pelo Instituto de Estudos Superiores da Empresa da Universidade de Navarra (IESE, na sigla em espanhol), pela Faculdade de Administração E. Philip Saunders, do Instituto de Tecnologia Rochester, em Nova York, e pela Escola de Negócios Henley no Reino Unido.
Ela foi baseada em entrevistas detalhadas com 105 participantes representando 97 empresas em 20 países. A finalidade do estudo era entender melhor como empresas usam mídias sociais e ferramentas da web 2.0 para colaborar externamente.
Mídias sociais e ferramentas da web 2.0 estão juntando a tecnologia e os negócios de forma mais rápida. Empresas estão descobrindo que plataformas de colaboração inovadoras podem ajudar a conectar a empresa ao mundo exterior.
Fornecendo experiências dinâmicas e a informação certa que os consumidores exigem, as empresas são capazes de estabelecer novas rotas para o mercado e aumentar o relacionamento com os clientes, além de divulgar a marca.
Fer ramentas Das empresas entrevistadas, 75% identificaram redes sociais, como o Facebook ou o Twitter, como as principais ferramentas de mídias sociais com base em consumidores usadas pela empresa, enquanto aproximadamente 50% também usam blogs.
Ferramentas de mídias sociais estão se expandido para as áreas centrais da cadeia de valor, incluindo marketing e comunicações, recursos humanos e departamentos de serviço aos consumidores. Dentro do marketing e das comunicações, essas ferramentas já se tornaram uma parte essencial das iniciativas de empresas, à medida que aprenderam e agiram de acordo com a mudança de comunicações “transmitidas” para “dialogadas”, ou interações ricas.
Apesar de algumas pequenas e médias empresas estarem utilizando, de forma ativa, canais de redes sociais para aumentar os negócios, são as empresas maiores que, em geral, aproveitam mais essas oportunidades de crescimento.
Apesar das constatações, o estudo revela que o mundo dos negócios está apenas nos primeiros estágios de adoção dessas ferramentas. Além disso, faltam governança e envolvimento da área de TI, o que pode impedir a integração bem-sucedida e a adoção dessas novas plataformas e tecnologias.
Apenas uma em cada sete empresas participantes notou um processo formal associado ao emprego de ferramentas de redes sociais, enquanto implicações das redes sociais nos negócios são constantemente negligenciadas Somente um em cada cinco participantes identificou políticas para o uso de tecnologias de redes de sociais na empresa. A maior parte das respostas mostrou que a governança de redes sociais envolve tipicamente mais iniciativas de acionistas do que das próprias empresas, já que essas empresas ainda precisam definir quem “detém” as redes sociais. Sem um consenso acerca do responsável pelas redes sociais, essas iniciativas são extremamente difíceis de controlar e gerir.
As empresas continuam a enfrentar dificuldades com a criação e a adoção de políticas, já que copiar um determinado processo de governança de outras áreas, como TI ou comunicações, geralmente não funciona com redes sociais. As empresas também sentem dificuldades para descobrir o equilíbrio certo entre a natureza social e pessoal dessas ferramentas enquanto mantêm certa vigilância corporativa.
Apenas uma em cada dez participantes destacou envolvimento direto da TI em iniciativas de redes sociais. Apesar de a TI não estar tipicamente envolvida tomando as principais decisões, ela conhece não apenas questões de configurações, mas sabe que as ferramentas precisam se integrar umas com as outras e também com a arquitetura existente da empresa, para obter o máximo de benefícios.
Questões essenciais Os participantes reconheceram que redes sociais e ferramentas de colaboração dentro da empresa continuarão a se desenvolver – assim como a sua complexidade – e a influenciar o modo pelo qual os negócios são conduzidos. Indo ainda mais longe, o modo que as empresas escolherem para adaptar e integrar essas ferramentas dentro do ambiente de TI da empresa será fundamental.
Com respeito à adoção, uso correto e governança das redes sociais na empresa, as seguintes questões precisam ser tratadas: quando, como e quais iniciativas serão executadas? Como gerenciar as tecnologias autorizadas? Como gerenciar o uso dessas tecnologias pelos funcionários? – Os resultados da pesquisa revelam uma subestimação do poder e influência das redes sociais nos negócios – revela Evgeny Kaganer, principal pesquisador e professor assistente dos Sistemas de Informação da IESE. – Além do mais, ela destaca a transformação que as empresas precisam fazer, não apenas para protegerem a si mesmas, mas também para estimular e se beneficiarem da colaboração que essas redes e ferramentas podem lhe dar.
Kaganer diz ainda que o uso crescente e a influência das redes sociais e ferramentas da web 2.0 não podem ser ignorados; caso contrário, empresas se sujeitarão ao risco de uso impróprio, com risco de haver revelação de informações confidenciais e interpretação incorreta da empresa.
THE NEW YORK TIMES
Tradução: Maíra Mello
Fonte: Jornal do Brasil
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